domingo, 18 de abril de 2010

The saints are coming.

Não são as mesmas coisas, nem são os mesmos dias e a mudança é inevitável.
Já ouvi -demais até- que as coisas costumam mudar, que o mundo gira, que ninguém volta a ser o que era e que sentir saudades é normal.
Não consigo ver nos outros o espírito de liberdade que era comum nas décadas passadas. Para onde foram os que lutavam? Os que acreditavam que a força do jovem era maior que qualquer sistema e qualquer arma quimica? Já faz algum tempo que as guerras não são mais problemas, e sim a solução. Porque todos estão apáticos e não lutam pela liberdade, fraternidade e igualdade? Para onde foram os ideais iluministas que moviam os povos? Estão esperando que os governos da Europa voltem a ser absolutistas?
Não entendo porque todo esse comodismo. Se ficarmos indiferentes a tudo, iremos retroceder. E eu só vejo o futuro do planeta ser preterido em troca de uma coca-cola.
Caos aéreo, guerras pelo Petróleo, desequilibrio ambiental, furacões, terremotos, atentados, mortes em nome da fé. É tudo tão abominável. E todos assistem calados.
Já passou da hora de refletirmos sobre a diferença entre normal e comum.



"Uma tristeza que afoga, inunda a mais funda angústia. Já faz tanto tempo. Até que uma mudança climática condene a crença".

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Presa em um momento.

Já não sei onde jogar tanta tristeza. Tentei o mar, voltou com mais força. Tentei o vento e já sinto aqui do meu lado. E eu que reclamava da minha vida parada. Mil vezes ela. Mil vezes. Acordo pensando demais e me deito sobrecarregada, logo, não durmo. Preciso parar de achar que sou o centro, mas é inevitável passar pela minha cabeça que ultimamente as coisas tem recaído demasiadamente sobre mim.
Acho que sempre depois de uma grande decepção, corre-se o risco de o medo te dominar e tirar de você o que havia de melhor, mais do que a capacidade de amar, a capacidade de dizer isso a pessoa amada. Um amigo.
Quando a decepção te faz pensar que qualquer forma de demonstração afetiva vai te deixar vunerável, é provável que seu mundo vire uma ilha. Ilha silenciosa, repleta de medo. Devo dizer: Se for pra cair, não me leve junto. Não agora, por favor.
A capa do disco All that you can't leave behind me faz pensar no que eu não posso mesmo deixar pra trás. Seja lá o que for.
'E a minha vida é tão confusa quanto a América Central, por isso não me acuse de ser irracional'. Engenheiros.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Sonho que se sonha só.

É sempre tão bom parar pra refletir, fazer planos futuros, examinar a consciência. É sempre tão fortalecedor olhar pra trás e achar patético o que um dia pareceu ser o fim do mundo. Com isso, aprendemos a não resumir nossa vida num só dia, num só ano, num só lugar, quando há tanto tempo e o mundo todo pra viver. Fácil demais falar de perdão e principalmente de sonhos. Dificil é ter a capacidade de perdoar dentro de si, de entender que anormal seria se ninguém errasse. Afinal, não é de suma importância que haja quedas e muita luta para que se possa subir ao pódium com glória? Não é a vontade de vencer que nos move em direção aos nossos sonhos? É necessário sonhar, acreditar e, acima de tudo, transformar tudo isso em uma força capaz de nos tirar do conformismo e do comodismo.
Tenho os sonhos como algo renovador, que me faz lutar pra conquistar. Seja um dez numa prova, laços de amizade reafirmados, a procura do amor da vida e até mesmo um casamento numa manhã, em uma praia deserta-Sim, como essa da foto-... Qualquer coisa que seja, precisa ser mais que meta, mais que objetivo, precisa ser sonho.
'Sonhar. Mais um sonho impossível. Lutar. Quando é fácil ceder[...] Voar num limite improvável. Tocar o inacessível chão. É minha lei, é minha questão.' - Chico Buarque.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Momento da rendição.


O que vem depois da rendição? Do não? Da certeza explícita de que o que era deixou de ser? Dentre todas as ações que realizamos, existem aquelas que exigem tempo para se acabar. Tempo para que alguém diga que não dá mais. Tempo para que alguém possa ceder. Tempo para que alguém se renda. Tempo.
'Não é se eu acredito no amor, mas se o amor acredita em mim'. Por onde anda o amor? Ele achou que eu desisti dele? Ou poupou seu tempo e desistiu de mim? Pra onde foi a minha vontade de dizer 'Eu te amo'? A minha vontade de estar perto. Sim, perto dos amigos. Espero que esteja adormecida, não morta. Espero que cada segundo de insatisfação e raiva se transforme futuramente em alegria. E que a minha vontade de amar, há tanto adormecida, não sei se por medo ou comodismo, possa voltar num furacão de bons sentimentos me fazendo acreditar que o momento da rendição está diretamente ligado a se permitir amar.

sábado, 3 de abril de 2010

Devaneios.


Depois de tanto pensar no que escrever hoje, decidi que o mais sensato seria me perder em pensamentos e redigi-los aqui ao invés de simplesmente falar sobre qualquer outra coisa que não me agrade.
Agora que tocamos no assunto, passaram a existir hoje na minha cabeça, como diria Zé Ramalho, 'meros devaneios tolos a me torturar'. Uma questão bem simples que acaba por envolver dois segmentos de nosso corpo e mente, que jamais alguém conseguiu desmembrar. A razão e a emoção.
Passar quase sua vida toda convivendo com as mesmas pessoas, percorrendo rotineiramente os mesmos passos, olhando para a mesma árvore, lanchando na mesma cantina, e até agradecendo a mesma Senhora na oração diária, acaba por dificultar sua escolha na hora de decidir aquela que será a melhor instituição a te preparar para o maior teste que se pode passar na adolescência: O vestibular.
Mas, veja bem, é fácil imaginar-se indo para a festa de formatura das suas melhores amigas como uma mera convidada? Não entrando com seu padrinho na hora da valsa?Não usando o vestido padrão e desfilando deslumbrante pelo salão?
Calma. Se o ensino médio vai acabar de qualquer jeito, vale a pena abrir mão do que você julga ser o melhor pra sua educação só pra passar mais um ano com seus colegas, sabendo que no final vocês vão se separar de qualquer forma?
Acordei pensando muito sobre o futuro.
A imagem não ilustra o texto, o trecho abaixo ilustra a imagem:
' Os nossos sonhos são os mesmos há muito tempo, mas não há mais muito tempo pra sonhar.' - Engenheiros do Hawaii.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Incógnitas.


Já sentiram como se aquela pessoa que está ao seu lado há tanto, simplesmente não fosse mais quem costumava ser? Já se sentiu ameaçada e até amedrontada por algo que ela tenha feito, que, apesar de tudo, foge totalmente do que era esperado por seu comportamento e caráter? Ou pior, já ficou amedrontado por essa pessoa fazer exatamente o esperado? Estranho, mas passamos a tratar essas pessoas, antes tão claras, como incógnitas. Um X. Um Y. Psicopata? Bipolar? Carente? O que pode ser? Você se pergunta. Talvez uma falta de atenção, uma desestruturação familiar, um momento difícil ou alguma carência de serotonina no cérebro. Tudo é visto como uma forma de desviar a culpa do indivíduo em si. Qualquer saída racional para que os atos sejam realizados involuntariamente é extremamente pensada de modo a evitar a verdade: Aquela pessoa simplesmente não é o que, ou quem, você achou que fosse. E a sensação é mesmo triste: Alguém muito amado, morreu. Afinal, você não espera mais daquela incógnita as atitudes, os abraços e até mesmo as piadas que sempre esperou. Vê-lo se afundando e mesmo assim não admitir que precisa de ajuda é quase tão ruim quanto não poder fazer nada, depois de ter feito tudo. Acho que nessas horas vale até adaptar um trecho de Nando Reis que diz: 'Se você precisar... Uma margarida comum, um beijo ou simples abraço que é pra você lembrar de si'.
A imagem da capa do 'No line on the horizon' do U2 define bem o vazio que sente alguém que se identifica com o texto acima.
Boa semana santa, beijocas.